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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

5309 - As terras de Frederico Michaelsen


A cidade de Nova Petrópolis respeita e preserva as suas origens culturais germânicas

Dando continuidade ao texto de Piccolo (1989, p. 62): Pelo cadastro pode-se perfeitamente verificar que muitos colonos receberam menos e outros mais de 100.000 braças quadradas como prescrevia a lei. 

Os prazos eram desiguais, não só em áreas como em qualidade. 
Um mesmo prazo podia ter partes boas e partes ruins. E nem sempre a área pequena e a má qualidade do terreno foram supridas com outras concessões. 
Na Linha Povoação o maior foi o de nº 5, com 100.500 braças quadradas, distribuído, em 1863, a Frederico Gilherme Bartholomay, que pagou o valor no prazo e vendeu-o, em 1866, ao professor Frederico Michaelsen, natural de Hamburgo, protestante. 
A condição de proprietário rural foi determinante para que Frederico Michaelsen tenha fixado raízes na colônia de Nova Petrópolis e lá prestado serviços à comunidade. 
É nessa mesma 9 O estudo mais detalhado sobre o Projeto de Restauração Católica estudado na Tese de Doutorado do professor Lúcio Kreutz se encontra no capítulo 6 - 
O professor paroquial católico teuto-brasileiro: função religiosa, sociocultural e política (2003, p. 157 a 192). História da Educação, ASPHE/FaE/UFPel, Pelotas, v. 14, n. 30 p. 181-205, Jan/Abr 2010. Disponível em: http//fae.ufpel.edu.br/asphe 199 região que se encontra a maioria de seus descendentes, muitos deles ainda na condição de pequenos proprietários, praticando a agricultura no interior do município. 

MEMÓRIAS DE UM PROFESSOR, de  Luiz Alberto de Souza Marques 

5308 - A primeira escola de Nova Petrópolis

O atual Colégio Estadual Padre Werner situado na Rua Frederico Michaelsen 465, no  centro de  Nova Petrópolis iniciou no século passado pelo ano de 1870, com o nome de “Gemeindeschule” , Escola da Comunidade, sendo seu primeiro professor Frederico Michaelsen que veio da cidade de Hamburg na Alemanha. No inicio a escola era pequena com uma sala uni docente em construção enxaimel que também servia de igreja. No ano de 1900, atendia como escola Isolada pelo professor Frederico Michaelsen sendo este substituído pelo professor Augusto Dunker em 1910. Em 1919 foi nomeada a primeira professora do município Sra. Elisabeth Seibt para atender esta escola.
Em 1940 deu origem ao Grupo Escolar de Nova Petrópolis, Decreto de criação n° 32 de 05/03/1940, D.O. 06/03/1940, pertencendo naquela época até dezembro de 1958 a 2° delegacia Regional de Educação, com sede na cidade de São Leopoldo, Nova Petrópolis era distrito de São Sebastião do Caí.

                 Passou a ter denominação de Padre Werner em 25/01/1947 pelo decreto n° 2253, de São Sebastião do Caí em homenagem a José Werner Francisco Pio Maria, o Padre Werner.
A 2° localização deu-se em 1949 funcionando até 1969 no prédio de propriedade do Sr. Albano Diesel até 1957, em que posteriormente este prédio foi adquirido pela prefeitura de São Sebastião do Caí e doado ao estado em 1958.  Em 1959 este prédio foi demolido para construção do 2° pavilhão do atual prédio. 
Em 07/03/1961 foi oficialmente inaugurado o prédio da Rua Frederico Michaelsen. 
Em 1967 com 293 alunos matriculados foi solicitado a ampliação de 4 salas, vindo a ser inaugurada em 1970 (com a presença de autoridades militares).
 

             Em 1973 iniciou a 6° série, em 1978 a 7° série e a partir de 1979 a 8° série.
Em 1979 passou a se chamar Escola Estadual de 1° Grau Padre Werner. Em 1980 graças a colaboração da comunidade escolar foi inaugurada a sala de aula do jardim.  Em março de 1981 iniciou o funcionamento da 6°, 7° e 8° série no turno da noite e em 1984 iniciou a classe especial.
Em 1989 passou a ter o ensino médio denominada então Escola Estadual de 1° e 2° Graus Padre Werner. Em 1997 a escola inaugurou o refeitório dos alunos, vestiários masculino e feminino do pavilhão de esportes, salas de aula, salas de educação física, sanitário masculino e feminino, cozinha e bar.  Em 2000 por meio de voto popular passou a se chamar Colégio Estadual Padre Werner.
Atualmente a escola pertence a 4° Coordenadoria Regional de Educação com sua sede em Caxias do Sul.
Até o presente ano de 2013 a escola passou por muitas transformações físicas, teve sua 25° diretoria, conta atualmente com cerca de 60 professores, além de monitores, secretárias e orientadores para atender 30 turmas com alunos do 1° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio e turmas de EJA. 

*As imagens e informações foram obtidas no arquivo histórico da escola, porém há lacunas em algumas épocas, foi possível observar nas imagens que sempre havia alguma autoridade militar presente nas cerimonias. 
Postado por 

5307 - Frederico Michaelsen: profesor de escola pública



Os primeiros contratos do professor Frederico foram com a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul – Município de São Leopoldo e Distrito de Porto dos Guimarães – São Sebastião do Caí, para a cadeira de Nova Petrópolis.
Os dados que seguem foram coletados pela Escola Estadual Padre Werner, Nova Petrópolis, e disponibilizados para a pesquisa de Michaelsen (1995, p. 85), cuja fonte é o Inventário de códices da Instrução Pública – I-86; Arquivo Histórico de Porto Alegre – página 65.
A Escola da Povoação de Nova Petrópolis foi criada pela Lei 771, de 04 de maio de 1871. Frederico Michaelsen foi nomeado através de portaria da Presidência, em 20 de outubro de 1876, para interinamente reger essa cadeira.
Entrou em exercício a 8 de janeiro de 1871, por despacho do Diretor Geral. Removido para a cadeira de Colônia Santo Ângelo na Cachoeira, pelo ato de 20 de fevereiro de 1882, e restabelecida pela Lei nº1461, de 30 de abril de 1884. 1876;
Naquele ano todos os contratos foram cancelados e eu fiz um exame como normalista e fui contratado novamente para o mesmo cargo, no mesmo lugar. Lecionei por 10 anos como professor interino, com 80 Mil réis mensais.
Neste cargo permaneci até a Proclamação da República em 1889, quando recebi o título de efetivo, com 100 Mil réis.
Por ato de 10 de julho de 1891 tornou-se efetivo no magistério. História da Educação, ASPHE/FaE/UFPel, Pelotas, v. 14, n. 30 p. 181-205, Jan/Abr 2010. Disponível em: http//fae.ufpel.edu.br/asphe 200
Em 1891 recebi um abono por 25 anos de serviço, de 25%, chegando então a 125 Mil réis mensais. No ano de 1894 os salários dos professores foram aumentados e passei a receber 170 Mil réis mensais.
Por ato de 3 de setembro de 1895 reverteu para a sede de Nova Petrópolis. Em 5 de outubro de 1895 foi-lhe mandado abonar a gratificação correspondente a uma parte de seus vencimentos, por ter completado 25 anos de efetivo serviço no magistério.

MEMÓRIAS DE UM PROFESSOR Luiz Alberto de Souza Marques


5306 - Reconhecimento ao grande professor

A cidade de Nova Petrópolis faz várias homenagens ao mestre Frederico Michaelsen


Hoje, na cidade de Nova Petrópolis/RS, passados 106 anos do falecimento do professor Frederico, o nome Michaelsen continua sendo uma referência. 
Entre as homenagens que lhe foram prestadas, destacam-se nomes de avenida e de escola. Seu túmulo está localizado no Parque do Imigrante, junto a uma réplica de aldeia alemã do início da colonização e da primeira igreja protestante (Luterana) erguida na colônia. 
São inúmeros os seus descendentes, destacados na política, no comércio, na educação, na cultura, na agricultura, no jornalismo e em serviços reconhecidos pela contribuição dada à história e à sociedade local.

MEMÓRIAS DE UM PROFESSOR Luiz Alberto de Souza Marques 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

5305 - Nova Milano: primeira morada dos italianos no alto da Serra

Foi na localidade de Nova Milano, no atual município de Farroupilha, 
que os primeiros imigrantes italianos se estabeleceram

A primeira casa gaúcha dos italianos


A colonização italiana no Rio Grande do Sul nasceu em Nova Milano, distrito de Farroupilha. Em maio de 1875, um barracão que abrigava os primeiros imigrantes era a única visão de lar que trevisanos e vicentinos recém-chegados na América podiam contemplar. O resto era terra selvagem. Partindo daquele ponto perdido no mapa da Província, os colonos fundaram Caxias do Sul e povoaram toda a Serra. Mesmo sendo a ante-sala da imigração, Farroupilha não foi ocupado de imediato pela primeira leva de italianos. Assim que chegaram, quase todas as 110 famílias foram transferidas de local. “O dono de uma colônia particular dizia que não se começava uma cidade pelo fim do território”, relata a historiadora Miriam Giacomel, 26 anos. Depois de alguns dias no barracão, os imigrantes foram parar no ponto central da colônia situada aos fundos de Nova Palmira, mais tarde denominada de Colônia Caxias. Cerca de 10 anos depois, Luís Feijó Júnior, proprietário da colônia particular Sertorina, entre Bento Gonçalves e Caxias do Sul, achou um bom negócio começar a formar núcleos de imigrantes a partir da venda de parte das suas três léguas de terras.

Estava formada a Linha Nova Vicenza, onde em 1883 moravam 30 famílias. Com a conclusão da estrada de ferro entre Caxias a Montenegro, em 1910, a irmã mais nova conquista a estação do trem e concorre com o desenvolvimento de Nova Milano. Próximo à sede do município, Nova Vicenza assume a direção administrativa do então 3o distrito de Caxias, que desde o início estava nas mãos do núcleo mais antigo. Berço da colonização, Nova Milano não aceitou perder a posição para uma comunidade mais jovem. A pressão foi tanta que as autoridades resolvem agradar a gregos e troianos. Enquanto Nova Vicenza é promovida a 2o distrito do município em 1927, Nova Milano volta como 6o. Mas nada evitou o esvaziamento da periferia de Farroupilha. A estação do trem e a chegada da luz elétrica fizeram com que os moradores das duas comunidades mudassem suas casas para a parte alta de Nova Vícenza. O nascedouro da imigração italiana estava definhando.

Textos de um fascículo especial editado pelo jornal Zero Hora, do dia 04/1219/96, chamado “Origens do Rio Grande”, tendo sido as reportagens efetuadas por:
James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.
Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.


5304 - A Nossa Senhora dos Milagres

A nossa Senhora dos Milagres

Quando se reuniram para rezar a primeira missa, em 1878, os imigrantes instalados numa pequena localidade do distrito de Vila Jansen decidiram escolher o nome do padroeiro ou da padroeira da comunidade. Não chegaram a um acordo. Algumas famílias queriam Santo Antônio, outras defendiam Nossa Senhora do Loreto. Para evitar confusão, os colonos resolveram ir até São Sebastião do Caí. A imagem que pudesse ser comprada lá seria a da padroeira. Voltaram de mãos vazias. Os italianos já estavam pensando em construir uma estátua, quando Natal Faoro disse que poderia emprestar um quadro que havia trazido da Itália.

A tela de 33 em por 40 continha a imagem de sua devoção. Só que não era a de Nossa Senhora do Loreto e muito menos a de Santo Antônio. Daquela dia em diante, Nossa Senhora do Caravaggio tornou-se a padroeira da colônia que recebeu seu nome. No ano de 1879, os moradores ergueram uma capela para a santa e começaram a realizar romarias em sua homenagem. Nesta mesma época, o quadro de Faoro deu lugar a uma estátua esculpida em cedro.Encomendada de um artesão de Caxias do Sul, a imagem foi carregada nas costas pelos colonos durante todo o trajeto até chegar ao vilarejo. Dez anos depois, a capela já estava pequena para abrigar os devotos que compareciam ao templo todo dia 26 de maio (data atribuída à aparição de Nossa Senhora na vila italiana de Caravaggio). Em 1890, os imigrantes inauguraram uma nova igreja. Até hoje, milhares de católicos visitam Farroupilha para deixar na igreja os ex-votos por graças e curas alcançadas.

Substituída por um grandioso santuário em 1968, a antiga capela está abarrotada de cabeças de cera, cruzes e placas de agradecimento. Nenhuma história é mais famosa entre os moradores da região do que a da mulher que teria sido possuída pelo demônio. Carregada por vários homens, a lavradora foi exorcizada dentro da igreja. A lenda conta que, quando o padre concluiu o exorcismo, o diabo saiu por uma janela lateral entortando as barras de ferro.

A colonização italiana no Rio Grande do Sul nasceu em Nova Milano, distrito de Farroupilha. Em maio de 1875, um barracão que abrigava os primeiros imigrantes era a única visão de lar que trevisanos e vicentinos recém-chegados na América podiam contemplar. O resto era terra selvagem. Partindo daquele ponto perdido no mapa da Província, os colonos fundaram Caxias do Sul e povoaram toda a Serra. Mesmo sendo a ante-sala da imigração, Farroupilha não foi ocupado de imediato pela primeira leva de italianos. Assim que chegaram, quase todas as 110 famílias foram transferidas de local. “O dono de uma colônia particular dizia que não se começava uma cidade pelo fim do território”, relata a historiadora Miriam Giacomel, 26 anos. Depois de alguns dias no barracão, os imigrantes foram parar no ponto central da colônia situada aos fundos de Nova Palmira, mais tarde denominada de Colônia Caxias. Cerca de 10 anos depois, Luís Feijó Júnior, proprietário da colônia particular Sertorina, entre Bento Gonçalves e Caxias do Sul, achou um bom negócio começar a formar núcleos de imigrantes a partir da venda de parte das suas três léguas de terras.

Estava formada a Linha Nova Vicenza, onde em 1883 moravam 30 famílias. Com a conclusão da estrada de ferro entre Caxias a Montenegro, em 1910, a irmã mais nova conquista a estação do trem e concorre com o desenvolvimento de Nova Milano. Próximo à sede do município, Nova Vicenza assume a direção administrativa do então 3o distrito de Caxias, que desde o início estava nas mãos do núcleo mais antigo. Berço da colonização, Nova Milano não aceitou perder a posição para uma comunidade mais jovem. A pressão foi tanta que as autoridades resolvem agradar a gregos e troianos. Enquanto Nova Vicenza é promovida a 2o distrito do município em 1927, Nova Milano volta como 6o. Mas nada evitou o esvaziamento da periferia de Farroupilha. A estação do trem e a chegada da luz elétrica fizeram com que os moradores das duas comunidades mudassem suas casas para a parte alta de Nova Vícenza. O nascedouro da imigração italiana estava definhando.

Textos de um fascículo especial editado pelo jornal Zero Hora, do dia 04/1219/96, chamado “Origens do Rio Grande”, tendo sido as reportagens efetuadas por:
James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.


Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.

5303 - Os teimosos de Nova Milano

Os teimosos de Nova Milano

Quase todas as 110 famílias de italianos que chegaram a Farroupilha em maio de 1875 foram logo transferidas para povoar primeiro Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul), a sede da colônia. Somente três amigos de Olmate, vila da cidade de Monza, não seguiram viagem com os companheiros de imigração. Stefano Crippa, Tommaso Radaelli e Luigi Sperafico ficaram. Comprando colônias de 24 hectares, cada um foi parar em uma localidade e prosperou de maneira diferente. Radaelli ficou plantando em Nova Milano, Crippa foi para a comunidade de Amizade e Sperafico instalou-se em São Miguel. Em 1884, Crippa construiu uma casa no atual centro de Nova Milano. “’Acho que seis anos depois ele montou a bodega na parte da frente”, calcula Ardelino Bergamo, 81 anos, neto do imigrante. “A gente vendia desde tecido até querosene”, conta o comerciante, que passou 50 anos atrás do balcão do armazém fundado pelo avô. Ao mesmo tempo em que Crippa crescia no comércio, Radaelli se destacava na agricultura. Tommaso começou plantando milho, arroz e feijão. Depois se transformou no maior produtor de uva da região, relembra o neto Thomaso Radaelli, 78 anos. Quase todas as 110 famílias de italianos que chegaram a Farroupilha em maio de 1875 foram logo transferidas para povoar primeiro Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul), a sede da colônia. Somente três amigos de Olmate, vila da cidade de Monza, não seguiram viagem com os companheiros de imigração. Stefano Crippa, Tommaso Radaelli e Luigi Sperafico ficaram. Comprando colônias de 24 hectares, cada um foi parar em uma localidade e prosperou de maneira diferente. Radaelli ficou plantando em Nova Milano, Crippa foi para a comunidade de Amizade e Sperafico instalou-se em São Miguel. Em 1884, Crippa construiu uma casa no atual centro de Nova Milano. “’Acho que seis anos depois ele montou a bodega na parte da frente”, calcula Ardelino Bergamo, 81 anos, neto do imigrante. “A gente vendia desde tecido até querosene”, conta o comerciante, que passou 50 anos atrás do balcão do armazém fundado pelo avô. Ao mesmo tempo em que Crippa crescia no comércio, Radaelli se destacava na agricultura. Tommaso começou plantando milho, arroz e feijão. Depois se transformou no maior produtor de uva da região, relembra o neto Thomaso Radaelli, 78 anos.

Textos de um fascículo especial editado pelo jornal Zero Hora, do dia 04/1219/96, chamado “Origens do Rio Grande”, tendo sido as reportagens efetuadas por:
James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.


Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

5302 - Michaelsen: o depoimento de um amigo

Deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul eleitos em 1947



Trecho do livro Meu Tempo Minha Vida, de Luiz Giacobbo                                   

sábado, 17 de fevereiro de 2018

5301 - Biografia de Egydio Michaelsen

 Egydio Michaelsen era amigo de Getúlio (o baixinho no centro da foto)
Egídio Michaelsen nasceu em São Sebastião do Caí (RS) no dia 27 de fevereiro de 1908, filho de Frederico Jacob Michaelsen e de Lúcia Michaelsen.
Bacharelou-se em 1930 pela Faculdade de Direito de Porto Alegre. Começou a advogar em sua cidade natal um ano antes de se diplomar, exercendo ininterruptamente a profissão até 1935, quando se tornou prefeito do município. Exerceu a função até 1943, retornando no ano seguinte à advocacia, agora no foro de Porto Alegre.
Com o fim do Estado Novo em outubro de 1945, no mês seguinte Michaelsen foi um dos fundadores, juntamente com Alberto Pasqualini, da União Social Brasileira (USB). Em janeiro de 1947, já filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte do Rio Grande do Sul. Participou, como presidente da Assembléia, dos trabalhos constituintes, integrando a Comissão Constitucional, que também presidiu. No pleito de outubro de 1950, elegeu-se primeiro suplente de deputado federal, sempre na legenda do PTB. Deixando a Assembléia em janeiro de 1951, ocupou uma cadeira na Câmara de abril desse ano a março de 1952, quando foi nomeado secretário do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul pelo governador Ernesto Dornelles (1951-1955) em substituição a João Goulart.
Identificado com a ala mais à esquerda de seu partido, em outubro de 1962 candidatou-se à sucessão do governador Leonel Brizola (1959-1963), mas acabou derrotado por Ildo Meneghetti, candidato da coligação encabeçada pelo Partido Social Democrático (PSD). Em junho de 1963, foi empossado pelo presidente João Goulart (1961-1964) na pasta da Indústria e Comércio. Ocupou o cargo até 31 de março de 1964, por ocasião do golpe militar que depôs Goulart. Ainda em 1964, presidiu o Grupo de Coordenação do Comércio com os Países Socialistas da Europa Oriental (Coleste), vinculado ao Ministério das Relações Exteriores.
Faleceu no Rio de Janeiro no dia 8 de setembro de 1972.
Era casado com Elita Pereira Michaelsen, com quem teve três filhos.
[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]




Egydio MICHAELSEN Edit Profile

Egydio MICHAELSEN, Brazilian lawyer, banker;. member Partido Trabalhista Brasileiro; Member: Federação Riograndense de Tenis (honorary president), Petropole Tenis Clube (president).


Background

MICHAELSEN, Egydio was born on February 27, 1908 in Cai, Rio Grande do Sul, Brazil.

Education

Educated Ginásio do Rosário, Porto Alegre. Bachelor of Laws, University de Porto Alegre, 1930.

Career

Mayor of Cai, 1935-1943. Director, Banco AgrícolaMercantil South America, since 1946. State deputy, since 1947.

Membership

Member Partido Trabalhista Brasileiro. Member: Federagao Riograndense de Tenis (honorary president), Petropole Tenis Clube (president).

    Connections

    father:
    Frederico Jacob Michaelsen
    mother:
    Lucia Michaelsen
    spouse:
    Elita Pereira
    children:
    Cassio MICHAELSEN
    Marilia MICHAELSEN
    Celso MICHAELSEN

    5300 - A enorme extensão do município de São Sebastião do Caí


    O município de Portão era distrito de São Sebastião do Caí
    até a sua emancipação, em 1963
    Assim como Caxias do Sul, a maior cidade do interior gaúcho, várias outras cidades 
    do estado já fizeram parte do território caiense


    Nova Petrópolis também já pertenceu ao município de São Sebastião do Caí










































    Pra se ter uma ideia, o território pertencente a São Sebastião do Caí se estendia desde 
    a localidade de Santa Lúcia do Piaí, situada entre Caxias do Sul e Canela, até Nova Santa Rita, 
    município vizinho a Porto Alegre.área do atual município de Linha Nova pertencia ao Caí, 
    assim como as de Nova Petrópolis, Vale Real e São Vendelino. Portão também estava 
    incluído no território caiense.

    Os municípios que se emanciparam de Caxias do Sul, como Farroupilha, também pertenceram ao município do Caí.

    Atuais municípios cujas áreas já pertenceram, no passado, a São Sebastião do Caí:
    Caxias, Farroupilha, Nova Petrópolis, Farroupilha, Carlos Barbosa, Linha Nova, Presidente Lucena, São José do Hortêncio, Vale Real, Feliz, Alto Feliz, São Vendelino e Bom Princípio.
    Quando Canoas emancipou-se, a localidade de Santa Rita uniu-se à de Canoas para conseguir emancipar-se e tornou-se parte do município de Canoas. Em 1992 emancipou-se formando um novo município.

    5299 - Biografia de Napoleão de Alencastro Guimarães












    GUIMARÃES, Napoleão de Alencastro (o mais alto na foto)
    *militar; rev. 1930; sen. DF 1951-1954; min. Trab. 1954-1955; sen. DF 1955-1959.

    Napoleão de Alencastro Guimarães nasceu em São Sebastião do Caí (RS) no dia 29 de março de 1899, filho do capitão Pedro de Alencastro Guimarães e de Leopoldina Cardoso de Alencastro Guimarães. Seu irmão Adolfo Cardoso de Alencastro Guimarães foi embaixador brasileiro na Itália de 1956 a 1960.



    Após cursar o Colégio Militar de Porto Alegre, sentou praça em 1918, ingressando em seguida no curso de infantaria da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, pela qual foi declarado aspirante-a-oficial em janeiro de 1921. Promovido a segundo-tenente em maio desse ano e a primeiro-tenente no final de 1922, cursou ainda a Universidade Técnica de Porto Alegre, pela qual se diplomou engenheiro geógrafo, matriculando-se em 1929 no curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército.
    Com a derrota da Aliança Liberal nas eleições de 1º de março de 1930, tiveram início as articulações para preparar em vários pontos do país a revolta armada, finalmente iniciada em 3 de outubro. As sucessivas vitórias no Sul do país levaram as forças revolucionárias a marcharem em direção à capital federal. No Rio de Janeiro, em 24 de outubro, três oficiais de alta patente — os generais Augusto Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto e o almirante Isaías de Noronha —, antecipando-se aos rebeldes, depuseram o presidente Washington Luís, formando então a junta provisória que passou a governar o país.
    Deposto Washington Luís, o tenente Alencastro Guimarães assumiu a chefia da Repartição Geral dos Telégrafos do Rio de Janeiro, departamento que vinha sendo dirigido interinamente por Conrado Müller Campos. Ainda nos primeiros momentos de atuação da junta provisória, as notícias sobre a situação no Rio de Janeiro eram contraditórias: ora anunciavam completa ordem na cidade, ora alertavam para a “interferência perturbadora de elementos comunistas”, que procuravam provocar choques entre as unidades da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, de um lado, e as do Exército, de outro. No dia 26 de outubro, Alencastro Guimarães, juntamente com o tenente Artur da Costa e Silva, telegrafou para Salvador a fim de colocar o “tenente” Juarez Távora, comandante militar da revolução no Norte e Nordeste do país, a par dos acontecimentos, concitando-o a vir para o Rio de Janeiro. Na verdade, reinava na coluna revolucionária proveniente do Sul, sob o comando de Getúlio Vargas, grande desconfiança sobre as intenções da junta governativa, que afinal concordou — sob pressão da superioridade bélica dos gaúchos — em entregar o poder a Vargas no dia 3 de novembro.
    Estabelecido o Governo Provisório de Vargas, Juarez Távora assumiu provisoriamente a pasta da Viação e Obras Públicas. Encontrando-se à disposição deste ministério, o tenente Alencastro Guimarães foi designado chefe do gabinete do diretor dos Telégrafos e representante do ministro junto à diretoria dos Correios tendo feito sempre, em ambas as funções, o controle das comunicações.
    Nos primeiros meses de 1931 criaram-se diversas agremiações revolucionárias e, em maio, foi fundado o Clube 3 de Outubro, congregando as correntes tenentistas partidárias da manutenção e do aprofundamento das reformas instituídas pela Revolução de 1930. Alencastro Guimarães tornou-se um dos primeiros membros da organização e, em outubro do mesmo ano, foi promovido a capitão.
    Em 1932, a oposição entre as correntes políticas tradicionais de São Paulo, de um lado, e as forças tenentistas e o governo federal que as apoiava, de outro, atingiu o seu clímax. Com a eclosão da Revolução Constitucionalista em julho, Alencastro Guimarães reintegrou-se ao Exército, participando dos combates contra os rebeldes no destacamento de Parati (RJ). O conflito terminou em outubro, com a derrota das forças constitucionalistas.
    Em junho do ano seguinte, foi criado o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM), do qual Alencastro Guimarães foi o primeiro presidente e organizador. A criação do IAPM foi responsável pela introdução de uma nova sistemática no âmbito previdenciário, ou seja, a do agrupamento de profissões afins em um mesmo órgão. Logo em seguida surgiram novos institutos, como o dos comerciários (maio de 1934) e o dos bancários (julho de 1934), entre outros.
    A partir de 1934 Alencastro Guimarães tornou a ficar à disposição do Ministério da Viação e Obras Públicas, só interrompendo a licença em 1935, por ocasião da Revolta Comunista de novembro desse ano: nessa oportunidade apresentou-se como voluntário, tendo combatido integrado ao 2º Batalhão de Caçadores. Durante o período em que esteve em disponibilidade, atuou ainda como depositário judicial (liquidante) da frota penhorada da empresa de navegação comercial Lóide Brasileiro — encampada pela União em 1937 —, como membro do Conselho Consultivo do Distrito Federal e como diretor técnico do Lóide Nacional.

    Missão nos Estados Unidos
    Promovido a major em maio de 1939, Alencastro Guimarães foi nomeado no ano seguinte chefe de gabinete do ministro da Viação e Obras Públicas, João de Mendonça Lima. No exercício desse cargo viajou por diversas vezes aos Estados Unidos a fim de adquirir material ferroviário, rodoviário e navios-tanques. Entre junho e agosto do ano seguinte escreveu de Nova Iorque várias cartas a Getúlio Vargas, abordando não apenas a repercussão do discurso do presidente brasileiro — pronunciado no dia 11 de junho e considerado favorável ao nazismo — e as questões relativas à sua missão, mas também a posição dos Estados Unidos em relação ao Brasil e a preocupação norte-americana com a influência nazista na América do Sul. Transmitiu também a informação de Herman Greenwood — representante da United States Steel ligado às negociações para o financiamento da siderurgia brasileira — acerca da disposição dos Estados Unidos em conceder créditos para a indústria brasileira do aço. A partir de agosto, dedicou-se a traçar as linhas gerais da posição a ser defendida pelo Brasil na Conferência Interamericana de Navegação, junto com o representante brasileiro no conclave, capitão Mário Celestino. Para tanto, manteve ainda diversos contatos com a embaixada brasileira em Washington.
    Entre 1940 e 1943, atuou como membro do Conselho Federal de Comércio Exterior, integrando ainda o seu conselho pleno, de 1941 a 1943, e o conselho da Câmara de Produção, em 1941. Nomeado em 1942 diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), em novembro desse ano ficou acertada sua viagem aos Estados Unidos para resolver diversos assuntos de interesse da EFCB, como o fornecimento de trilhos e material para a conexão das linhas da Central com as do Leste brasileiro e destas com as da Great Western. O estabelecimento desta ligação assumiu naquele momento — poucos meses após a declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo grande importância e urgência, já que asseguraria o tráfego interno, ameaçado pela incursão de submarinos alemães nas costas brasileiras, criando sérios entraves à navegação de cabotagem.
    Na realidade, a missão de Alencastro Guimarães, decidida pelo próprio presidente da República, destinava-se basicamente a apressar uma decisão por parte dos norte-americanos, uma vez que o problema da ligação ferroviária do Sul com o Norte do país já fora definido anteriormente como contrapartida da colaboração prestada pelo governo brasileiro no âmbito do esforço de guerra: 13 navios brasileiros, além de alguns vapores de passageiros — estes para o transporte de tropas — já haviam sido cedidos aos Estados Unidos. Já no início de 1943, Alencastro Guimarães escrevia a Vargas para colocá-lo a par do andamento de sua missão. Embora tivesse resolvido satisfatoriamente questões como a do carvão, dos seguros e de diversos outros equipamentos, estava encontrando certa dificuldade em obter os trilhos para Montes Claros.
    Retornando ao Brasil ainda em 1943, foi designado membro da Câmara de Intercâmbio de Comércio, Crédito, Câmbio e Propaganda do Conselho Federal de Comércio Exterior, função que acumulou com a diretoria da Central do Brasil. Nesse período serviu na Comissão da Carta Geral da República, encarregada do mapeamento dos territórios brasileiros pouco (ou nada) conhecidos. Em 1945 tornou-se membro da Câmara de Distribuição e Mercado Interno do Conselho Federal de Comércio Exterior. No dia seguinte à deposição de Vargas, em 29 de outubro desse ano, deixou a diretoria da Central do Brasil e apresentou ao Exército seu pedido de transferência para a reserva, sendo reformado poucos dias depois no posto de tenente-coronel e designado em seguida, mais uma vez, membro do conselho pleno do Conselho Federal de Comércio Exterior.

    No PTB
    Tendo assumido o governo no mesmo dia da deposição de Vargas, José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, manteve a data das eleições presidenciais, já marcadas para 2 de dezembro de 1945. O início de novembro foi marcado pela intensificação de esforços dos aliados de Vargas no sentido de que este se pronunciasse em favor da candidatura do general Eurico Dutra pelo Partido Social Democrático (PSD): segundo esses políticos, Dutra somente teria possibilidade de derrotar o candidato da União Democrática Nacional (UDN), o brigadeiro Eduardo Gomes, caso obtivesse o apoio de Vargas.
    No dia 8 de novembro de 1945, Alencastro Guimarães, agora filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), aproveitando a ida de Hugo Borghi à fazenda da família Vargas em São Borja (RS), escreveu a Getúlio fazendo a avaliação das possibilidades dos partidos diante da próxima eleição presidencial. Em sua análise, defendeu a idéia de que qualquer resultado eleitoral dependeria do que Vargas decidisse quanto às candidaturas: caso permanecesse neutro, ou contra Dutra, o pleito seria ganho por Eduardo Gomes, e dificilmente os trabalhistas fariam a maioria, ou mesmo um grupo ponderável, no Congresso. Defendendo a realização de um acordo formal com Dutra, afirmou ainda que somente assim os getulistas poderiam obter a maioria no novo ministério, bem como as funções correspondentes, além do apoio para a conquista dos governos estaduais. Vargas deu uma resposta evasiva, afirmando que seus correligionários deveriam manter os compromissos assumidos e ressaltando a necessidade de reforçar o PTB, de modo a que o partido tivesse condições próprias para lutar e subsistir, muito embora ele, Vargas, estivesse disposto apenas a acompanhá-lo, e não a dirigi-lo.
    Poucos dias depois, Alencastro Guimarães escreveu nova carta a Vargas renovando seu pedido de apoio à candidatura de Dutra. Informou também ter sido visitado no dia 12 de novembro pelo general Dutra, o embaixador João Neves da Fontoura — coordenador do apoio de Vargas à candidatura do militar —, João de Segadas Viana — líder da ala petebista favorável ao apoio à candidatura de Eduardo Gomes, sem qualquer consulta prévia a Getúlio —, e Paulo Baeta Neves, presidente do diretório do PTB, entre outros.
    Nesse encontro, pressionados pelo tempo — já que naquele mesmo dia o PTB se reuniria para decidir o registro da candidatura presidencial —, discutiram a possibilidade do apoio do PTB a Dutra. Durante a reunião, segundo a carta enviada por Alencastro Guimarães a Vargas, foi proposto que em troca de simples adesão do PTB a Dutra, este assegurasse ao partido a pasta do Trabalho em seu ministério além de um número de pastas proporcionais ao número de votos obtidos pelo partido em comparação com os que receberia o PSD, e o direito de escolha dos prefeitos e interventores onde o PTB obtivesse maioria. Essa proposta, defendida por Alencastro Guimarães e João Neves da Fontoura, não encontrou receptividade entre os demais líderes petebistas, que preferiram deixar a decisão para a convenção do partido. Esta deliberou, por fim, não registrar candidato próprio.
    Em sua carta, Alencastro Guimarães afirmou a Vargas que, embora fosse grande a dificuldade da maioria do partido em aceitar a candidatura Dutra, ela deveria receber o apoio petebista, já que Dutra e o PSD “apoiariam o PTB contra as perseguições do ‘governicho’ atual”, além de evitar o banimento e a cassação dos direitos políticos de Vargas, que estariam sendo planejados pela UDN e por alguns membros do governo. Como último argumento, enfatizou a necessidade de dar ao PTB o tempo necessário para sua articulação e organização: caso fosse eleito, Dutra necessitaria de apoio no Congresso, o que possibilitaria aos trabalhistas negociar num mesmo plano. Poucos dias depois, Getúlio Vargas divulgou um manifesto no qual determinava a seus correligionários que apoiassem a candidatura de Dutra, finalmente eleito no dia 2 de dezembro.
    O primeiro ano do governo Dutra foi marcado politicamente pela elaboração da nova Constituição, finalmente aprovada em 17 de setembro de 1946. Marcaram-se então para 19 de janeiro do ano seguinte as eleições para a escolha de governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Nessa oportunidade, Alencastro Guimarães apresentou sua candidatura na legenda do PTB à Câmara de Vereadores do Distrito Federal, tendo sido eleito com 4.842 votos.
    Iniciadas as articulações visando à definição das candidaturas que concorreriam ao pleito presidencial de 1950, começou a ganhar força a candidatura Vargas. Seu lançamento oficial na legenda do PTB ocorreu em junho desse ano, mas em agosto, às vésperas do prazo de encerramento para o registro das candidaturas, ainda não havia sido escolhido seu companheiro de chapa. Já em fins desse mês, Vargas mostrava-se inclinado a convidar o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro que participara de sua deposição em 1945 para a vice-presidência, visando com isso a neutralizar a campanha que se vinha fazendo, inclusive entre os militares, para impedir sua eleição. Alencastro Guimarães, segundo Café Filho em suas memórias, alertou Vargas para a possibilidade de um desgaste do PTB carioca caso insistisse nessa escolha. A divulgação pelos jornais do dia 1º de setembro da notícia do convite feito ao general Góis Monteiro acabou por provocar um início de dissidência, que forçou a direção trabalhista a decidir-se pela adoção do nome do representante do Partido Social Progressista (PSP), o deputado federal João Café Filho, como candidato à vice-presidência.

    No Senado
    O pleito de 3 de outubro de 1950, que deu a vitória a Vargas e Café Filho, escolheu também os chefes dos executivos estaduais e os representantes ao Congresso. Candidato ao Senado na legenda do PTB, Alencastro Guimarães foi eleito com 282.874 votos, tomando posse em fevereiro do ano seguinte.
    Em dezembro de 1951, ao final do primeiro ano de seu governo, Vargas enviou ao Congresso um projeto propondo a criação de uma sociedade de economia mista como solução para o problema do petróleo. Esse projeto, contudo, só veio a receber a aprovação do Congresso após um longo período de debates: embora Vargas e seus assessores já esperassem reações desfavoráveis à solução proposta, não lhes foi possível prever o comportamento que assumiriam seus adversários políticos, membros da UDN, e muito menos que o projeto original da Petrobras encontraria oposição até mesmo dentro do PTB. Por outro lado, mesmo contando com a maioria nominal na Câmara, Vargas preferiu aceitar as emendas da oposição, que propunham a adoção do monopólio estatal.
    O projeto da Petrobras foi enviado ao Senado em setembro de 1952. Aí, os senadores Alencastro Guimarães, Francisco de Assis Chateaubriand, do PSD da Paraíba, e Oton Mäder, da UDN do Paraná, dentre outros, colocaram-se contra o monopólio estatal no setor do petróleo, insistindo na adoção de uma terceira fórmula, baseada no regime das concessões. Ao serem formadas as comissões técnicas, coube a Alencastro Guimarães — que desde o início dos debates discordara da diretriz traçada pela direção do PTB — presidir a de Transportes, Comunicações e Obras Públicas. Após detalhada discussão, essa comissão emitiu parecer favorável à emenda apresentada pelo senador Oton Mäder no sentido de fixar-se a possibilidade de admissão de empresas privadas na exploração do petróleo no Brasil. De modo geral, durante a discussão do projeto no Senado predominou a concepção empresarial do problema do petróleo, ao contrário do que ocorrera na Câmara dos Deputados, onde foram mais discutidos os aspectos técnicos e políticos. Sendo enviado de volta à Câmara em julho de 1953, o projeto apresentava 32 emendas que lhe alteravam o caráter em pontos básicos. A Câmara, no entanto, insistiu no princípio do monopólio estatal finalmente incorporado à lei sancionada por Vargas em 3 de outubro de 1953.
    Em 1954, Alencastro Guimarães colaborou com o jornal O Mundo, então sob a influência peronista. Entre abril desse ano e setembro de 1955 presidiu a Comissão de Imposto Sindical.

    Ministro do Trabalho
    O governo constitucional de Vargas foi pontilhado de crises, que concluíram numa grande ofensiva contra o presidente depois do atentado praticado na madrugada de 5 de agosto de 1954, quando elementos ligados à guarda pessoal de Getúlio, tentando alvejar o jornalista Carlos Lacerda, assassinaram o major-aviador Rubens Vaz. O Ministério da Aeronáutica avocou a si a realização do inquérito sobre o atentado, instaurando a chamada “República do Galeão”. À medida que se desenrolava o inquérito, aumentavam as pressões sobre o presidente, principalmente por parte de determinados setores militares. Na madrugada do dia 24, Vargas realizou a última reunião com o ministério, na qual anunciou sua decisão de pedir licença do cargo. Na manhã seguinte, chegou a notícia de que seu irmão Benjamim Vargas fora intimado a depor no inquérito do Galeão. Poucas horas depois, Vargas se suicidava.
    A grande mobilização popular então ocorrida em todo o país, especialmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, desarticulou a ofensiva contra o governo e inviabilizou a concretização da propalada intervenção militar: Café Filho tomou posse no próprio dia 24 de agosto. No Senado, neste mesmo dia, Alencastro Guimarães proferiu veemente discurso de exaltação a Vargas, tendo-lhe cabido a leitura da carta-testamento deixada pelo presidente.
    Enquanto isso, nos primeiros momentos de seu governo, Café Filho tomava conhecimento de que os sindicatos operários estavam sendo percorridos pelo que considerou “agitadores”, que lhe atribuíam a decisão de nomear um dos diretores da Associação Comercial para o Ministério do Trabalho com a incumbência de revogar a legislação social existente. Segundo suas memórias, Café Filho, ao perceber os efeitos que esse tipo de boato poderia provocar no meio operário, decidiu afastar Hugo de Faria — que, desde o início do ano, por ocasião do afastamento de João Goulart, ocupava interinamente a pasta — do Ministério do Trabalho, substituindo-o por uma figura mais ligada ao trabalhismo. Por intermédio do senador Artur Bernardes Filho, Café Filho entrou em contato com Alencastro Guimarães, convidando-o para a pasta. No mesmo dia 24 de agosto, foi assinado o decreto de sua nomeação. Como ministro, Alencastro passou a integrar o Conselho de Segurança Nacional (CSN).
    No início de janeiro de 1955, Café Filho viajou à Bolívia, onde, junto com o presidente boliviano Victor Paz Estensoro, inaugurou o último trecho da estrada de ferro Corumbá (Brasil-Santa Cruz de la Sierra, Bolívia). Nessa ocasião, Estensoro, considerando a reiterada inadimplência do Brasil, propôs a completa revisão do tratado de 25 de fevereiro de 1938 sobre o petróleo boliviano: a assinatura do acordo já completara 17 anos, e nada havia sido feito com relação à exploração do produto. Com o reexame do tratado, pretendia liberar a faixa de terra que havia sido reservada por aquele documento para a prospecção e exploração de petróleo por empresas mistas de ambos os países, possibilitando assim que empresas unicamente bolivianas atuassem também nessa área.
    No dia 4 de março de 1955, o CSN debateu a revisão do tratado de 1938. O chefe do Gabinete Militar, general Juarez Távora — também secretário-geral do CSN —, sustentou que, antes de se tomar qualquer decisão, era preciso avaliar se o país possuía condições financeiras para iniciar os trabalhos. O ministro da Fazenda, Eugênio Gudin, declarou então ser praticamente impossível desviar recursos para o setor, já que as emissões de dinheiro haviam sido restringidas e as reservas cambiais eram insuficientes. Em vista disso, o ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, manifestou-se a favor da desistência da garantia geográfica obtida com o tratado e do estabelecimento de um outro, que assegurasse a compra do petróleo excedente ao preço do mercado internacional.
    Alencastro Guimarães, assim como a maioria dos ministros, votou favoravelmente à revisão. Aprovada a medida, Café Filho autorizou o ministro das Relações Exteriores a desenvolver as gestões junto ao governo boliviano, após o que o CSN tornaria a reunir-se. Por ocasião da queda do governo, em novembro de 1955, o exame do assunto ainda não havia sido concluído, e somente em 1958 seria assinado o chamado Acordo de Roboré, atualizando o tratado de 1938. No entanto, por abrir espaço à atuação de empresas privadas na exploração do petróleo boliviano, o ajuste suscitou grande controvérsia nos meios políticos do país, deixando de ser implementado.
    Pressionado pelo regime de contenção de despesas, Alencastro Guimarães, ao contrário dos últimos titulares de sua pasta, concentrou sua atenção no setor de indústria e comércio, embora não descuidasse dos assuntos trabalhistas. Como ministro, visitou o Japão em missão de intercâmbio comercial e concedeu integral apoio à “missão dos caixeiros-viajantes”, que visitou a Europa para promover a venda de produtos brasileiros, objetivando o aumento das exportações. No setor trabalhista, além de integrar a comissão técnica de orientação sindical, regularizou a situação dos conselhos fiscais dos institutos de aposentadoria e pensões, unificando ainda os serviços médicos da previdência.
    Em 1955, o Ministério do Trabalho teve de enfrentar importantes greves no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Em decorrência, foi decretada a intervenção no Sindicato dos Ferroviários da Leopoldina, com grande número também de prisões entre os trabalhadores da Light, reunidos em sua sede no Sindicato dos Trabalhadores em Carris do Distrito Federal e a anulação das eleições no Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de São Paulo. Ainda nesse ano, Alencastro Guimarães tornou pública a decisão do Poder Judiciário relativa ao decreto de maio de 1947, pelo qual o então presidente Dutra declarava suspenso o funcionamento da Confederação dos Trabalhadores do Brasil e das uniões sindicais. Ainda em 1954, João Goulart, então titular da pasta do Trabalho, Indústria e Comércio, contribuíra para o renascimento daquelas organizações sob o nome de União Geral dos Trabalhadores (UGT). A decisão do Judiciário em 1955, entretanto, determinou o fechamento definitivo da UGT e de suas filiadas.
    Em 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek e João Goulart foram eleitos, respectivamente, para a presidência e a vice-presidência da República. Predominava então a insistente suspeita de estar em articulação um golpe de Estado contra a posse dos eleitos, e o súbito ataque cardíaco sofrido por Café Filho, seguido de sua substituição por Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados, aumentou a agitação política. A tensão atingiu o auge quando Carlos Luz demitiu do cargo de ministro da Guerra o general Lott, que desencadeou uma contra-ofensiva através da mobilização militar e da deposição do próprio Carlos Luz em 11 de novembro seguinte. No mesmo dia foi empossado na presidência interina Nereu Ramos, substituto legal de Carlos Luz. Nessa ocasião, o ministério se demitiu, e com ele Alencastro Guimarães, que reassumiu então sua cadeira no Senado. Segundo o Diário de Notícias de 12 de novembro de 1955, o ministro do Trabalho, juntamente com o senador Nereu Ramos e o deputado José Antônio Flores da Cunha, presidente da Câmara, foi um dos primeiros a manifestar seu apoio ao ministro da Guerra. Este, contudo, em seu depoimento à 11ª Vara Criminal, em 27 de agosto de 1959, declarou que a presença de Alencastro Guimarães, acompanhado do deputado Danton Coelho, visava apenas à obtenção de maiores informações sobre a situação.
    No dia 20 de novembro de 1955, o general Lott entrevistou-se com Café Filho — que ainda se encontrava internado — e comunicou-lhe que, na opinião do esquema militar vitorioso, sua volta à presidência da República não seria conveniente. Na tarde do dia seguinte, Café Filho deixou a casa de saúde onde se encontrava, dirigindo-se para sua residência seguido de pequena comitiva, integrada, entre outros, pelo brigadeiro Eduardo Gomes, o almirante Edmundo Amorim do Vale, Alencastro Guimarães, Bento Munhoz da Rocha e José Eduardo do Prado Kelly. Encontrou o local cercado por tropas do Exército, dada a sua insistência em reassumir a presidência. Na madrugada do dia 22, o Congresso aprovou o impedimento de Café Filho. Nessa ocasião, Alencastro Guimarães manifestou-se contrário à medida.
    Com o término de seu mandato em janeiro de 1959, retirou-se da vida pública passando a escrever crônicas políticas para um matutino carioca.
    Durante sua vida pública, representou o governo brasileiro junto ao Convênio de Navegação de Buenos Aires.
    Faleceu no Rio de Janeiro no dia 21 de setembro de 1964.
    Era casado e teve dois filhos.
    O arquivo de Napoleão Alencastro Guimarães encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.
                                                                                                   Regina da Luz Moreira
    FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. MIN. EXÉRC.; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; CORRESP. MIN. TRAB.; COSTA, M. Cronologia; Encic. Mirador; ENTREV. GUEDES, P.; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; MIN. GUERRA. Almanaque (1932); MIN. GUERRA. Subsídios; MIN. TRAB. Documentário; NÉRI, S.16; Panfleto; SENADO. Relação; SILVA, H. 1939; SILVA, H. 1945; SILVA, H. 1954; TÁVORA, J. Vida; VÍTOR, M. Cinco.